As crises econômica e da ideologia neoliberal, a crescente democratização dos meios de comunicação na América Latina e o declínio dos meios dominantes proporcionam uma oportunidade única para a propagação dos meios de informação alternativa, diz a declaração final dos participantes no Fórum da Mídia Livre, que foi objeto de críticas pela falta de propostas concretas.
Só quando a mídia livre lute de igual para igualcontra os grandes conglomerados haverá uma verdadeira liberdade de expressão,devendo-se para isso apostar de forma incondicional na profissionalização e naarticulação internacional dos movimentos sociais, concordaram os participantes.
Nesse sentido surgiu a sugestão de estabelecer uminstituto de formação jornalística e de tomar medidas que levem a experiênciada mídia livre às camadas jovens. Insistindo na condição de virtuais produtoresde mídia de todos os indivíduos, os membros do fórum apelaram à ampliação damídia livre como afirmação do direito universal à comunicação.
Os redatores do texto também chamaram a atenção para aobrigatoriedade de promover uma comunicação participativa e horizontal queescape à linguagem da mídia comercial e à sua lógica de lucro, sem deixar deapontar ao financiamento auto-sustentável e público como os mais desejáveis.
Apesar da unânime exigência de democratização dosfundos públicos, e o apelo para os governos apoiarem a difusão das tecnologiasde informação, e que assegurem constitucionalmente o direito à comunicação, opapel do Estado tornou a ser controverso com alguns elementos do fórum a notaro risco de cair na dependência do paternalismo estatal.
A própria declaração foi criticada por umaex-jornalista e escritora que manifestou a sua indignação pela “falta deinstrumentos de ação com um calendário claro,” virando costas ao painel quetentava dirigir-se a ela. (Terra Viva)